Por Ana Clara Matos

Rock!, assim, mesmo, com ponto de exclamação, claro e incisivo. O título do EP avisa ao que veio o Molho Negro, que já estreia com a postura de banda experiente.
Depois de semanas de expectativa gerada no universo virtual – inicialmente com a apresentação do single “Fliperama Superstar”, candidato a hit, seguida da disponibilização das quatro faixas para download – a banda fez o show de lançamento de Rock! no dia 21 de janeiro.
Ao vivo, o vigor da sonoridade registrada por João Lemos (voz e guitarra) e Augusto Oliveira (bateria e voz) no estúdio Rocklab, em Goiânia, com a produção de Gustavo Vasquez e Luís Maldonalle, foi encorpado pela presença do terceiro elemento da banda, o baixo de Raony Pinheiro.
No palco, o power trio conquista com um som eficiente, direto e dançante. Letras como as de “Onde Está Meu Mojo” e “Ela Prefere o DJ” chamam a atenção pelo tom entre ácido e despojado como tratam situações cotidianas, nos vocais de João, ao mesmo tempo fortes e melodiosos – traço do músico que já aparecia em alguns momentos no Sincera, a outra banda da qual fazem parte ele e Augusto.

Além de mostrar o repertório da banda para além das quatro faixas do EP, que tem o selo da Rajada Records, o show de lançamento de Rock! contou ainda com a participação Eliezer Wonkas (Johny Rockstar) em uma versão para By The Grace of God, da banda sueca The Hellacopters, em sintonia com o clima da noite, embalada pelo rock “em seu estado mais sedutor”, para usar a autodefinição do Molho Negro: “alto, pulsante, marcante e dançante”.
No último fim de semana, a banda lançou o clipe de “Ela Prefere o DJ”, com imagens do próprio show, complementando a estratégia de lançamento. Descrito como “borrado, confuso e desfocado assim como qualquer boa ressaca!”, o vídeo que tem fotografia de Camilly Almeida e edição do próprio João dá uma boa ideia do clima do Molho Negro. A imediatez com que foi produzido e o ar de inferninho que transmite complementam a mensagem rock’n’roll do power trio, além de ser uma recordação divertida para quem esteve presente na apresentação.
Molho Negro - Ela Prefere o DJ (Vídeo Clipe)
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Por Ana Clara Matos

Com uma trajetória muito peculiar, o músico paraense Lucas Imbiriba, que atualmente mora em Munique, já está há dez anos longe de casa para se dedicar à música. Conhecido em Belém como violonista erudito, nos últimos anos tem revelado versatilidade com seu trabalho pop.
Lucas cursava o bacharelado em violão da Universidade do Estado do Pará, porém surgiu o desejo de aprofundar a técnica fora do Brasil. Foi parar em Barcelona, para estudar com uma professora cubana, em preparação para ingressar em um conservatório em Madri. Depois de três meses em Barcelona, resolveu não ir para Madri e tentar uma prova para a Escola Superior de Música de Catalunya. Passou e conseguiu uma bolsa pela Fundação Carlos Gomes. “Foi o tempo que aproveitei para só estudar violão, era de manhã, de tarde e de noite, era fazer concurso, e fui acumulando uns prêmios de violão”, conta.
Tanta dedicação rendeu bons frutos. Trabalhando com agências de música (atualmente com a ABCulture), começou a realizar vários concertos pela Europa, experiência que acabou desencadeando algo que pode até soar inusitado: Lucas se aproximou mais da música popular e da música brasileira.
“Eu comecei a me interessar também por bossa nova. Engraçado, isso, depois de vinte e tantos anos, eu comecei a me interessar por música brasileira. Aí eu comecei a cantar, porque nos eventos você vê que as pessoas no fundo, mesmo que estejam indo pra um concerto de música erudita, se você toca uma coisa de outro estilo que seja legal, que seja bonita, elas vão gostar, e além do mais, como eu era apresentado como músico brasileiro, as pessoas até esperavam isso.”
Integrou a música brasileira ao repertório e, no mesmo período, começou a compor. “Só que na hora de compor, pelo fato de não estar no Brasil, eu comecei já a fazer música em inglês, pra ver se as pessoas entendiam as letras. Gostava muito de Lenny Kravitz, de soul americano, James Brown, Stevie Wonder, e ainda que eu gostasse muito, obviamente, dos artistas brasileiros, eu comecei a fazer nessa linha. O que me fez me dedicar mais ao pop, mesmo, foi ver um vídeo do Seu Jorge cantando, que achei fascinante. Eu disse ‘poxa, eu queria fazer algo parecido da minha vida’.”
“Mundos paralelos”
À esta altura, Lucas já fazia mestrado na Alemanha. Intensificou a atividade de composição e as canções dessa fase deram origem ao projeto Lucas Cesar Expedition, em 2010, para o qual o artista convidou o também paraense Fabrício Cavalcante (guitarra e vocais), o lituano Tomas Marcinkus (baixo) e o boliviano-alemão Simon Villegas (bateria e percussão), com a produção do mexicano Julio Marinelarena.
Acostumado ao circuito profissional dos concertos eruditos, Lucas foi se aventurar com a banda pelo verão europeu em 2011, com um disco independente na bagagem: “foi uma experiência totalmente nova pra gente, não tinha nem ideia de como organizar, fomos ligando pros lugares, pros bares, pros clubes”.
A turnê feita na raça passou por Portugal, Espanha, França e Itália e em seguida Lucas teria um concerto em Trinidad e Tobago, um choque de realidades. “A sensação foi totalmente outra. Estava passando os dias numa van, dormindo onde desse, a gente acampava em qualquer praia, o que foi muito legal”. Por outro lado, em Trinidad e Tobago, o contexto era completamente diverso: “as pessoas já estão te esperando lá, vão lá pra te assistir, quietinhas, têm a oportunidade de te conhecer como artista, isso é muito gratificante”.
Como define Lucas, é como se fossem “mundos paralelos” e ambos têm características que agradam o músico, que segue com planos nas duas vias. A banda Lucas Cesar Expedition deu uma pausa nas atividades, mas Lucas Imbiriba começou a arranjar suas composições pop em formato acústico e atualmente trabalha com André Coruja no projeto Loveless Couchsurfers. No âmbito erudito, ele já tem apresentações agendadas na Rússia e também em cruzeiros da Ilha de Bali até Xangai e do Peru até Belém.
No ano passado, na universidade onde estuda, em Salzburg, na Alemanha, um professor sugeriu que ele realizasse uma apresentação mostrando todas as suas facetas. O repertório começou com peças clássicas, passou por versões solo de MPB e terminou com a Lucas Cesar Expedition, que ao final vendeu vários discos, demonstrando que a versatilidade do músico é viável e já encontra espaço.
Seguindo a trilha do aperfeiçoamento, ainda vivendo em Munique, Lucas Imbiriba iniciará agora o doutorado e afirma que, em alguns anos, gostaria de voltar para o Brasil, para Belém, fazendo carreira acadêmica, porém sempre viajando para dar continuidade à carreira como concertista.
Enquanto isso, que venha a próxima expedição…
Galeria de Fotos
Sessão de fotos feita em Munique (Alemanha), exclusivamente para o MP.Org, durante o bate-papo de Ana Clara Matos com Lucas Imbiriba.
Fotos: Rod Ferreira






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Por Ana Clara Matos

“Música é o que eu vou fazer em qualquer lugar que eu estiver”, esta é a premissa para o músico e produtor André Coruja, antes de explicar o projeto de vida ao redor do mundo. Depois de passar períodos em Zams e Innsbruck, na Áustria, ele atualmente mora em Munique, na Alemanha, e planeja ainda passar por outros países.
Sobre a decisão de partir para a temporada no exterior, ele conta: “eu queria, sobretudo, novas experiências”.
O músico sempre admirou o idioma alemão, o que norteou o início de seu percurso em terras estrangeiras. Foi para a Áustria a princípio para estudar a língua e tocar. Além disso, deu aulas de música e atuou como produtor de uma banda de adolescentes, trabalho que remeteu à experiência no estúdio que tinha em Belém.
O estúdio e a banda de André em Belém se chamavam O Meio do Mundo, nome que já transmite a ideia da escolha de vida que o artista vem concretizando desde o ano passado.
Os meses na Áustria foram bastante produtivos, mas chegou o momento de explorar novas possibilidades. No segundo semestre de 2011, André Coruja decidiu se transferir para Munique, começando uma nova etapa de um trajeto que não tem paradas definidas, mas que é conduzido pelo desejo de ainda experimentar outros lugares. “Eu não tenho projetos a longo prazo, posso estar aqui agora e ano que vem em outro país e depois em outro, mas o meu intuito mesmo é tocar, quero só construir um projeto e viajar tocando”, resume.
A ida para a Alemanha sintonizou-se com este objetivo. Lá, André pôs em prática a ideia de rodar o país de carro, conhecendo pessoas e tocando, inspirado pelo sistema de caronas Mitfahrgelegenheit.
No sistema de caronas, os usuários viabilizam o transporte reduzindo gastos, ao se unirem a outros usuários que tenham destinos em comum. No projeto de André Coruja, o diferencial é que as pessoas transportadas na van do artista são sempre do universo da música. Durante a viagem, todos tocam juntos e chegando ao destino, podem vir a realizar apresentações. Nas paradas, a hospedagem é escolhida no sistema Couchsurfing, porém sempre priorizando também contatos do meio musical.
A ideia se complementou a partir do encontro com o músico paraense Lucas Imbiriba, que gostou do projeto e se uniu a André. Agora as viagens são conduzidas pelo duo, que ganhou o nome de Loveless Couchsurfers e se apresentou pela primeira vez no Brasil na última sexta, 06 de janeiro, no programa Conexão Cultura, da Rede Cultura de Comunicação, transmitido por rádio, TV e internet, mostrando composições em inglês e português, com a participação de músicos de Belém.
Assista a vídeo com trecho do programa, publicado no perfil de André Coruja no Youtube.
Os dois têm trabalhado juntos, como uma espécie de base, mas ambos têm a liberdade de chamar quem quiserem para complementar a sonoridade, o que, segundo André Coruja, tem sido muito enriquecedor para o trabalho, que tem ganhado na qualidade dos arranjos. Fora isso, o método das caronas proporciona a construção de uma boa rede de contatos e uma aproximação direta com o público.
Sobre a jornada que está cumprindo, André afirma certeiro: “Simplesmente estou fazendo coisas que sempre quis fazer”. Segundo ele, uma vida “bem hippie e bem solitária”, que porém traduz a ideia do artista de que “o músico não precisa ter ‘casa’”, “trabalha em vários lugares”, o que é “fantástico pra rodar o mundo, pra conhecer pessoas, pra se alimentar de nova música”.
Nascido em Macapá – “o meio do mundo” – o músico e produtor que fez carreira em Belém diz ter na música paraense uma grande referência de música brasileira: “O que toco de samba ou baião não predomina tanto quanto carimbó ou toada”. A influência da música do Pará, segundo ele, é muito presente em suas melodias. Agora, após o período na Áustria, André recebeu forte influência das composições pop de voz e violão dos singers/songwriters, além da música erudita. “Na Áustria, sem dúvida, eu conheci um pouco mais de música clássica e música vocal”. Outras inspirações devem vir de Roma, Gana, Ásia, Canadá, lugares por onde o artista ainda pensa em passar. É esperar pelos novos caminhos que a música vai sugerir.
*Foto => André Coruja e Lucas Imbiriba, apresentação no Conexão Cultura da Rede Cultura de Comunicação. Imagem retirada do Portal Cultura.
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