Por Ana Clara Matos

“Música é o que eu vou fazer em qualquer lugar que eu estiver”, esta é a premissa para o músico e produtor André Coruja, antes de explicar o projeto de vida ao redor do mundo. Depois de passar períodos em Zams e Innsbruck, na Áustria, ele atualmente mora em Munique, na Alemanha, e planeja ainda passar por outros países.
Sobre a decisão de partir para a temporada no exterior, ele conta: “eu queria, sobretudo, novas experiências”.
O músico sempre admirou o idioma alemão, o que norteou o início de seu percurso em terras estrangeiras. Foi para a Áustria a princípio para estudar a língua e tocar. Além disso, deu aulas de música e atuou como produtor de uma banda de adolescentes, trabalho que remeteu à experiência no estúdio que tinha em Belém.
O estúdio e a banda de André em Belém se chamavam O Meio do Mundo, nome que já transmite a ideia da escolha de vida que o artista vem concretizando desde o ano passado.
Os meses na Áustria foram bastante produtivos, mas chegou o momento de explorar novas possibilidades. No segundo semestre de 2011, André Coruja decidiu se transferir para Munique, começando uma nova etapa de um trajeto que não tem paradas definidas, mas que é conduzido pelo desejo de ainda experimentar outros lugares. “Eu não tenho projetos a longo prazo, posso estar aqui agora e ano que vem em outro país e depois em outro, mas o meu intuito mesmo é tocar, quero só construir um projeto e viajar tocando”, resume.
A ida para a Alemanha sintonizou-se com este objetivo. Lá, André pôs em prática a ideia de rodar o país de carro, conhecendo pessoas e tocando, inspirado pelo sistema de caronas Mitfahrgelegenheit.
No sistema de caronas, os usuários viabilizam o transporte reduzindo gastos, ao se unirem a outros usuários que tenham destinos em comum. No projeto de André Coruja, o diferencial é que as pessoas transportadas na van do artista são sempre do universo da música. Durante a viagem, todos tocam juntos e chegando ao destino, podem vir a realizar apresentações. Nas paradas, a hospedagem é escolhida no sistema Couchsurfing, porém sempre priorizando também contatos do meio musical.
A ideia se complementou a partir do encontro com o músico paraense Lucas Imbiriba, que gostou do projeto e se uniu a André. Agora as viagens são conduzidas pelo duo, que ganhou o nome de Loveless Couchsurfers e se apresentou pela primeira vez no Brasil na última sexta, 06 de janeiro, no programa Conexão Cultura, da Rede Cultura de Comunicação, transmitido por rádio, TV e internet, mostrando composições em inglês e português, com a participação de músicos de Belém.
Assista a vídeo com trecho do programa, publicado no perfil de André Coruja no Youtube.
Os dois têm trabalhado juntos, como uma espécie de base, mas ambos têm a liberdade de chamar quem quiserem para complementar a sonoridade, o que, segundo André Coruja, tem sido muito enriquecedor para o trabalho, que tem ganhado na qualidade dos arranjos. Fora isso, o método das caronas proporciona a construção de uma boa rede de contatos e uma aproximação direta com o público.
Sobre a jornada que está cumprindo, André afirma certeiro: “Simplesmente estou fazendo coisas que sempre quis fazer”. Segundo ele, uma vida “bem hippie e bem solitária”, que porém traduz a ideia do artista de que “o músico não precisa ter ‘casa’”, “trabalha em vários lugares”, o que é “fantástico pra rodar o mundo, pra conhecer pessoas, pra se alimentar de nova música”.
Nascido em Macapá – “o meio do mundo” – o músico e produtor que fez carreira em Belém diz ter na música paraense uma grande referência de música brasileira: “O que toco de samba ou baião não predomina tanto quanto carimbó ou toada”. A influência da música do Pará, segundo ele, é muito presente em suas melodias. Agora, após o período na Áustria, André recebeu forte influência das composições pop de voz e violão dos singers/songwriters, além da música erudita. “Na Áustria, sem dúvida, eu conheci um pouco mais de música clássica e música vocal”. Outras inspirações devem vir de Roma, Gana, Ásia, Canadá, lugares por onde o artista ainda pensa em passar. É esperar pelos novos caminhos que a música vai sugerir.
*Foto => André Coruja e Lucas Imbiriba, apresentação no Conexão Cultura da Rede Cultura de Comunicação. Imagem retirada do Portal Cultura.