O blog oficial da música paraense

Este projeto visa ampliar a ação de pesquisa da musicografia paraense já feita pelo blog Música Paraense, criando ferramentas interativas mais
abrangentes para assim difundir não mais só a música propriamente dita, mas também a vida dos artistas, suas referências, conexões musicais e feedback com o seu público.

Garantindo uma divulgação do trabalho de artistas dos mais variados estilos, com qualidade de informação
e de difusão de músicas, gerando oportunidades de contatos ao redor do mundo e preservando a história
dos que fizeram e fazem a história da música no Pará.
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Por Ana Clara Matos

Com uma trajetória muito peculiar, o músico paraense Lucas Imbiriba, que atualmente mora em Munique, já está há dez anos longe de casa para se dedicar à música. Conhecido em Belém como violonista erudito, nos últimos anos tem revelado versatilidade com seu trabalho pop.

Lucas cursava o bacharelado em violão da Universidade do Estado do Pará, porém surgiu o desejo de aprofundar a técnica fora do Brasil. Foi parar em Barcelona, para estudar com uma professora cubana, em preparação para ingressar em um conservatório em Madri. Depois de três meses em Barcelona, resolveu não ir para Madri e tentar uma prova para a Escola Superior de Música de Catalunya. Passou e conseguiu uma bolsa pela Fundação Carlos Gomes. “Foi o tempo que aproveitei para só estudar violão, era de manhã, de tarde e de noite, era fazer concurso, e fui acumulando uns prêmios de violão”, conta.

Tanta dedicação rendeu bons frutos. Trabalhando com agências de música (atualmente com a ABCulture), começou a realizar vários concertos pela Europa, experiência que acabou desencadeando algo que pode até soar inusitado: Lucas se aproximou mais da música popular e da música brasileira.

“Eu comecei a me interessar também por bossa nova. Engraçado, isso, depois de vinte e tantos anos, eu comecei a me interessar por música brasileira. Aí eu comecei a cantar, porque nos eventos você vê que as pessoas no fundo, mesmo que estejam indo pra um concerto de música erudita, se você toca uma coisa de outro estilo que seja legal, que seja bonita, elas vão gostar, e além do mais, como eu era apresentado como músico brasileiro, as pessoas até esperavam isso.”

Integrou a música brasileira ao repertório e, no mesmo período, começou a compor. “Só que na hora de compor, pelo fato de não estar no Brasil, eu comecei já a fazer música em inglês, pra ver se as pessoas entendiam as letras. Gostava muito de Lenny Kravitz, de soul americano, James Brown, Stevie Wonder, e ainda que eu gostasse muito, obviamente, dos artistas brasileiros, eu comecei a fazer nessa linha. O que me fez me dedicar mais ao pop, mesmo, foi ver um vídeo do Seu Jorge cantando, que achei fascinante. Eu disse ‘poxa, eu queria fazer algo parecido da minha vida’.”

“Mundos paralelos”

À esta altura, Lucas já fazia mestrado na Alemanha. Intensificou a atividade de composição e as canções dessa fase deram origem ao projeto Lucas Cesar Expedition, em 2010, para o qual o artista convidou o também paraense Fabrício Cavalcante (guitarra e vocais), o lituano Tomas Marcinkus (baixo) e o boliviano-alemão Simon Villegas (bateria e percussão), com a produção do mexicano Julio Marinelarena.

Acostumado ao circuito profissional dos concertos eruditos, Lucas foi se aventurar com a banda pelo verão europeu em 2011, com um disco independente na bagagem: “foi uma experiência totalmente nova pra gente, não tinha nem ideia de como organizar, fomos ligando pros lugares, pros bares, pros clubes”.

A turnê feita na raça passou por Portugal, Espanha, França e Itália e em seguida Lucas teria um concerto em Trinidad e Tobago, um choque de realidades. “A sensação foi totalmente outra. Estava passando os dias numa van, dormindo onde desse, a gente acampava em qualquer praia, o que foi muito legal”. Por outro lado, em Trinidad e Tobago, o contexto era completamente diverso: “as pessoas já estão te esperando lá, vão lá pra te assistir, quietinhas, têm a oportunidade de te conhecer como artista, isso é muito gratificante”.

Como define Lucas, é como se fossem “mundos paralelos” e ambos têm características que agradam o músico, que segue com planos nas duas vias. A banda Lucas Cesar Expedition deu uma pausa nas atividades, mas Lucas Imbiriba começou a arranjar suas composições pop em formato acústico e atualmente trabalha com André Coruja no projeto Loveless Couchsurfers. No âmbito erudito, ele já tem apresentações agendadas na Rússia e também em cruzeiros da Ilha de Bali até Xangai e do Peru até Belém.

No ano passado, na universidade onde estuda, em Salzburg, na Alemanha, um professor sugeriu que ele realizasse uma apresentação mostrando todas as suas facetas. O repertório começou com peças clássicas, passou por versões solo de MPB e terminou com a Lucas Cesar Expedition, que ao final vendeu vários discos, demonstrando que a versatilidade do músico é viável e já encontra espaço.

Seguindo a trilha do aperfeiçoamento, ainda vivendo em Munique, Lucas Imbiriba iniciará agora o doutorado e afirma que, em alguns anos, gostaria de voltar para o Brasil, para Belém, fazendo carreira acadêmica, porém sempre viajando para dar continuidade à carreira como concertista.

Enquanto isso, que venha a próxima expedição…

Galeria de Fotos
Sessão de fotos feita em Munique (Alemanha), exclusivamente para o MP.Org, durante o bate-papo de Ana Clara Matos com Lucas Imbiriba.
Fotos: Rod Ferreira